Material Elaborado por Especialista em Alfabetização e que já alfabetizou milhares de crianças!
Identificar um aluno pré-silábico é uma das situações que mais preocupam o professor durante o processo de alfabetização.
Depois da sondagem, muitas vezes surge a pergunta: “Ele está no nível pré-silábico. Mas o que eu faço agora para ajudá-lo a avançar?”
E essa é uma preocupação legítima. Afinal, não basta identificar a hipótese de escrita do aluno. É preciso compreender o que ele já sabe, o que ainda precisa construir e quais situações de aprendizagem podem ajudá-lo a avançar.
Neste artigo, você vai encontrar algumas ideias de atividades para trabalhar com alunos pré-silábicos, além de exemplos de práticas que podem não produzir o avanço esperado quando utilizadas de forma isolada.
O que significa estar no nível pré-silábico? De maneira geral, o aluno pré-silábico ainda não estabeleceu uma relação estável entre a escrita e os sons da fala.
Ele pode utilizar letras, símbolos ou combinações variadas para escrever, mas ainda não compreende que a escrita representa, de determinada maneira, aquilo que falamos.
É importante lembrar que estar no nível pré-silábico não significa que o aluno não saiba nada sobre a escrita.
Ele pode reconhecer algumas letras, identificar o próprio nome, perceber diferenças entre palavras, reconhecer palavras presentes em seu cotidiano e utilizar diferentes pistas para tentar interpretar uma escrita.
Por isso, o trabalho pedagógico precisa partir daquilo que o aluno já consegue fazer e criar situações que provoquem novas reflexões. E agora? O que fazer com esse aluno?
O primeiro passo é evitar a ideia de que existe uma única atividade capaz de fazer o aluno avançar. O desenvolvimento da escrita acontece por meio de experiências variadas e intencionais, nas quais o aluno possa observar, comparar, levantar hipóteses, tentar escrever, interpretar o que escreveu e refletir sobre as diferenças entre as palavras.
Algumas propostas podem contribuir para esse processo.
1. Trabalhe com o nome próprio
O nome da criança é uma referência muito importante. Você pode propor atividades como:
localizar o próprio nome entre outros;
identificar a letra inicial;
comparar nomes dos colegas;
encontrar nomes que começam com a mesma letra;
observar quais nomes são maiores ou menores;
montar o nome com letras móveis;
comparar a quantidade de letras de diferentes nomes.
O objetivo não é simplesmente fazer o aluno decorar o próprio nome, mas utilizar essa palavra conhecida como uma referência para começar a observar características da escrita.
2. Explore palavras conhecidas
Palavras que fazem parte do cotidiano da criança podem ser utilizadas como referências. Nomes de colegas, objetos da sala, personagens conhecidos, animais e outras palavras significativas podem ajudar o aluno a perceber que as escritas apresentam características diferentes.
Uma possibilidade é apresentar duas palavras e perguntar: “Onde está escrito ___?”Depois, pedir que a criança explique: “Como você descobriu?
”Essa segunda pergunta é especialmente importante. Mais do que saber se a resposta está correta, interessa compreender quais pistas o aluno está utilizando para chegar à resposta.
3. Trabalhe com imagens, mas não deixe a atividade apenas na identificação da figura
As imagens podem ser excelentes recursos para criar situações de leitura.Por exemplo, apresente imagens de:
🐝 ABELHA
🐱 GATO
🍌 BANANA
🐶 CACHORRO
E depois apresente diferentes palavras.Em vez de simplesmente pedir: “Que animal é esse?”o professor pode perguntar: “Qual dessas palavras pode ser GATO? Como você descobriu?”
Dessa maneira, a criança precisa observar pistas e formular uma hipótese.Esse tipo de proposta também permite trabalhar a chamada leitura por indícios, utilizando elementos visuais e conhecimentos que o aluno já possui.
4. Explore as letras e seus sons
Para o aluno avançar, é importante criar situações em que ele possa perceber relações entre a fala e a escrita. As vogais podem ser um excelente ponto de partida.
Por exemplo:
A de ABELHA
E de ELEFANTE
I de IGREJA
O de OVELHA
U de UVA
Mas é importante ir além da simples memorização. professor pode perguntar:“Que som você escuta no começo de UVA?”
“Qual dessas palavras começa com o mesmo som de OVELHA?” “Onde aparece a letra A?” Assim, a criança começa a perceber que as letras não estão ali de maneira aleatória.
O que nem sempre funciona com o aluno pré-silábico?Uma dificuldade comum é acreditar que quanto mais atividades de cópia o aluno fizer, mais rapidamente ele aprenderá a escrever.
Mas copiar várias vezes:A A A A A ou B B B B B não garante que a criança compreenda o funcionamento da escrita. Da mesma forma, atividades excessivamente mecânicas, nas quais o aluno apenas pinta, cobre pontilhados ou repete letras, podem ocupar seu tempo sem necessariamente provocar as reflexões necessárias para avançar.
Isso não significa que essas atividades nunca possam ser utilizadas. O problema está em utilizá-las como estratégia principal para um aluno que ainda precisa compreender as relações entre fala e escrita.
O mais importante é que a criança tenha oportunidades de pensar sobre aquilo que está fazendo. Uma atividade simples para trabalhar com alunos pré-silábicos.
Outra possibilidade é trabalhar com um conjunto de imagens e palavras.A presente, por exemplo: ABELHA — ELEFANTE — IGREJA — OVELHA — UVA.
Depois, peça que o aluno observe as palavras e as imagens. Pergunte:“Qual palavra começa com o mesmo som de IGREJA? ”Em seguida: “Que letra aparece no começo de IGREJA?”
Depois, proponha uma comparação: IGREJA começa igual a UVA?” O objetivo não é simplesmente fazer a criança acertar. É ajudá-la a observar, comparar, justificar suas escolhas e perceber características da escrita.
E como ajudar esse aluno a avançar de forma mais sistemática?
Foi justamente pensando nessa necessidade que desenvolvi as atividades de vogais da Silabou. A proposta não é simplesmente apresentar as cinco vogais para a criança decorar.
As atividades foram pensadas para criar diferentes situações de aprendizagem envolvendo letras, sons, imagens, identificação, comparação e leitura, permitindo que o professor trabalhe essas relações de diferentes maneiras.
Entre as propostas, há atividades em que o aluno precisa:
identificar vogais;
relacionar letras e imagens;
perceber diferentes posições das vogais nas palavras;
identificar sons;
comparar palavras;
utilizar pistas para realizar a leitura;
reconhecer palavras a partir de imagens;
observar características das palavras e justificar suas escolhas.
Dessa forma, o material pode ser utilizado como parte de uma intervenção pedagógica planejada para alunos que ainda estão construindo seus conhecimentos sobre o sistema de escrita.
Quer conhecer as atividades? Se você está trabalhando com alunos que ainda apresentam características do nível pré-silábico e procura atividades prontas para complementar sua intervenção, conheça o material de vogais da Silabou.
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Intencionalidade Pedagógica
O material é um recurso que pode ajudar o professor a organizar propostas e oferecer diferentes experiências de aprendizagem.
O que faz diferença é a intencionalidade pedagógica: observar o que o aluno já sabe, identificar suas dificuldades, propor desafios possíveis, fazer perguntas, ouvir suas hipóteses e acompanhar seus avanços.
Um aluno pré-silábico não precisa apenas de mais exercícios. Ele precisa de situações em que possa pensar sobre a escrita.
