Meu filho está no 4º ano e ainda tem dificuldade para ler: o que fazer?

Seu filho está no 4º ano do Ensino Fundamental, mas ainda lê devagar, encontra dificuldade para compreender textos ou precisa de muita ajuda para responder perguntas sobre o que leu?

Essa situação pode gerar preocupação na família, principalmente porque, nessa etapa escolar, a leitura passa a ser cada vez mais necessária para aprender também Matemática, Ciências, História, Geografia e outros conteúdos.

Mas é importante entender uma coisa: nem toda dificuldade de leitura é igual. Há crianças que ainda encontram dificuldade para ler algumas palavras.

Outras já conseguem ler, mas fazem isso de maneira lenta e com muitas pausas. E há aquelas que aparentemente leem bem, porém não conseguem explicar o que acabaram de ler.

Por isso, antes de simplesmente pedir que a criança "leia mais", é importante descobrir onde está a dificuldade.1. Observe como a criança está lendo

Criando lendo, mas com dúvidas

Observe como a criança está lendo

Escolha um texto curto e adequado à idade e peça para a criança fazer a leitura em voz alta. Observe:

Ela consegue reconhecer as palavras?

Troca ou pula palavras?

Lê palavra por palavra?

Faz muitas pausas?

Respeita pontos e vírgulas?

Consegue explicar o que acabou de ler?

Localiza informações simples no texto?

Consegue perceber informações que não aparecem escritas diretamente?

Essas observações ajudam a entender melhor o que precisa ser trabalhado.

Uma criança pode precisar desenvolver fluência, enquanto outra necessita de um trabalho mais intenso de compreensão e interpretação.

 Meu filho lê, mas não entende o que lê. E agora?

 Essa dificuldade merece atenção.Algumas crianças conseguem pronunciar corretamente praticamente todas as palavras de um texto, mas, quando alguém pergunta:

"O que você entendeu?"a resposta é:

"Não sei. "Isso acontece porque ler não é apenas transformar letras em sons.

É preciso construir sentido a partir daquilo que está escrito.

Uma maneira simples de ajudar é conversar sobre o texto. Antes da leitura, pergunte: "Sobre o que você acha que esse texto vai falar?"

Durante a leitura: "O que aconteceu até aqui?"

"Por que você acha que a personagem fez isso?"

Depois: "Qual foi a parte mais importante?"

"Como você explicaria essa história para outra pessoa?"

Essas pequenas perguntas fazem a criança pensar sobre aquilo que está lendo.

 Faça pequenas leituras todos os dias

Essa é uma estratégia simples e muito importante. Escolha um pequeno trecho e escute a leitura sem interromper a cada erro.

Depois, ajude nas palavras que apresentaram maior dificuldade e converse sobre o que foi lido. Em outro momento, a criança pode ler novamente o mesmo trecho.

Na segunda ou terceira leitura, é comum que algumas palavras sejam reconhecidas com maior facilidade e a leitura fique mais segura.

A releitura pode contribuir para o desenvolvimento da fluência leitora. Mas atenção: o objetivo não é fazer a criança ler cada vez mais rápido.

Uma boa leitura envolve precisão, ritmo, compreensão e expressividade, e não apenas velocidade

Faça perguntas que não tenham a resposta pronta no texto

Interpretar também significa perceber informações que o autor não escreveu diretamente. Veja este exemplo:

Lucas saiu de casa usando uma camiseta. Pouco tempo depois, voltou correndo, pegou um casaco e saiu novamente.

Pergunte:

Por que Lucas provavelmente voltou para buscar um casaco?

O texto não diz que estava frio.A criança precisa juntar as pistas e chegar a essa conclusão.

Perguntas desse tipo ajudam a desenvolver a capacidade de fazer inferências, uma habilidade muito importante para a compreensão de textos.

Você também pode perguntar: Por que isso aconteceu? Como você descobriu? Qual parte do texto ajudou você? O que provavelmente acontecerá depois? Como essa personagem estava se sentindo? O texto diz isso ou você descobriu pelas pistas?

Pergunte: "Como você chegou a essa resposta?"

"Como você chegou a essa resposta?" Essa pergunta pode fazer uma grande diferença. Quando a criança responder uma atividade de interpretação, não verifique apenas se marcou a alternativa correta.

Pergunte: "Como você descobriu?

"Ou: "Onde está a pista no texto?"

Assim, a criança precisa explicar seu raciocínio. Esse hábito ajuda a desenvolver uma leitura mais reflexiva e também permite que o adulto perceba se ela realmente compreendeu ou apenas acertou por acaso.

Criança antecipando o que vai acontecer na história

Não transforme toda leitura em uma prova

Quando a criança termina de ler, é natural que o adulto queira saber se ela realmente compreendeu. O problema é quando toda leitura termina com uma sequência de perguntas, correções e cobranças.

A leitura também precisa estar associada à curiosidade, à descoberta e ao prazer. Nem sempre é necessário perguntar quem era a personagem principal, onde a história aconteceu ou qual era a ideia central do texto.

Às vezes, uma conversa simples pode ser muito mais produtiva:

“O que você achou dessa história?”

“Teve alguma parte que você achou engraçada ou interessante?”

“Você faria a mesma coisa que essa personagem?”

“Qual parte você contaria para alguém?”

Essas perguntas permitem que a criança fale sobre o texto de maneira mais natural e ajudam o adulto a perceber o que ela compreendeu.

Também vale lembrar que diferentes tipos de texto proporcionam diferentes experiências de leitura. Histórias, poemas, histórias em quadrinhos, curiosidades, receitas, notícias, adivinhas e pequenos textos informativos podem fazer parte desse processo.

Quanto mais a criança percebe que a leitura tem uma função em sua vida, maiores são as possibilidades de ela se envolver com aquilo que lê.

Ajude a criança a voltar ao texto.

Quando a criança não souber responder a uma pergunta, evite dar imediatamente a resposta. Experimente dizer: “Vamos procurar juntos?”

Depois, ajude-a a localizar a parte do texto que pode trazer uma pista. Se necessário, releia o trecho e faça perguntas menores que a ajudem a construir a resposta.

Por exemplo, em vez de simplesmente dizer por que determinada personagem ficou triste, você pode perguntar:

“O que aconteceu antes?”

“Como a personagem reagiu?”

“Tem alguma palavra ou frase que nos ajuda a perceber como ela estava se sentindo?"

Aos poucos, a criança aprende que, diante de uma dúvida, pode retornar ao texto, procurar informações, relacionar pistas e rever aquilo que havia entendido inicialmente.

Essa é uma estratégia importante para formar leitores mais autônomos.

Respeite o tempo de cada criança 

Nem todas as crianças desenvolvem a leitura no mesmo ritmo. Algumas conseguem ler as palavras com facilidade, mas ainda apresentam dificuldade para compreender textos.

Outras compreendem muito bem quando alguém lê para elas, mas precisam de mais tempo para desenvolver fluência na leitura independente.

Por isso, comparações costumam ajudar pouco. Em vez de comparar a criança com irmãos, colegas ou outras crianças da mesma idade, observe os avanços que ela apresenta ao longo do tempo.

Uma palavra que antes precisava ser soletrada e agora é reconhecida com facilidade já representa um avanço.Um pequeno texto que antes parecia muito difícil e agora pode ser lido com mais segurança também.

O desenvolvimento da leitura acontece gradualmente, e reconhecer essas pequenas conquistas pode ajudar a criança a se sentir mais confiante para continuar aprendendo.

Criança lendo feliz

Leia com a criança, e não apenas peça para ela ler

Uma das melhores maneiras de incentivar a leitura é compartilhar esse momento.O adulto pode ler uma parte e a criança outra.

Também é possível escolher um livro e fazer a leitura em voz alta, mesmo quando a criança já sabe ler sozinha. Ao ouvir um leitor mais experiente, ela entra em contato com ritmo, entonação, pausas e diferentes formas de dar sentido ao texto.

Além disso, a leitura compartilhada cria oportunidades naturais para conversar sobre palavras desconhecidas, personagens, acontecimentos e ideias.

Não é necessário transformar esse momento em uma longa atividade. Dez ou quinze minutos de leitura com atenção e frequência podem ser mais produtivos do que uma atividade extensa realizada apenas de vez em quando.

E quando a dificuldade continua?

É importante lembrar que dificuldades de leitura não desaparecem de um dia para o outro. Aprender a ler com fluência e compreender aquilo que está escrito exige prática, acompanhamento e oportunidades frequentes de contato com diferentes textos.

Se a criança apresenta dificuldades persistentes, converse com o professor. A escola pode ajudar a identificar quais aspectos precisam de maior atenção: reconhecimento de palavras, fluência, vocabulário, compreensão, produção de inferências ou outras habilidades relacionadas à leitura.

Essa conversa também ajuda família e escola a trabalharem na mesma direção.

Para finalizar

Quando uma criança consegue ler as palavras, mas não entende aquilo que acabou de ler, dizer apenas “leia novamente” nem sempre é suficiente.

Ela precisa aprender o que fazer enquanto lê. Antecipar informações, fazer perguntas, procurar pistas, relacionar acontecimentos, voltar ao texto, explicar como chegou a uma resposta e conversar sobre aquilo que leu são estratégias que podem ser ensinadas e praticadas.

E isso não precisa acontecer somente por meio de longas atividades. Uma história antes de dormir, uma pequena leitura depois da escola, uma conversa sobre um texto ou alguns minutos de leitura compartilhada já podem criar boas oportunidades de aprendizagem.

O mais importante é fazer da leitura uma prática frequente, significativa e possível dentro da rotina da criança. Compreender um texto também se aprende. E família e escola podem fazer muito para ajudar nesse processo.

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